Controlando o Preconceito: Ideias Preconcebidas se Baseiam em Medos e Crenças Infundadas?



Ser capaz de analisar e responder às circunstâncias de maneira imparcial, desvinculada de preferências, de valores arbitrários ou da memória de acontecimentos anteriores, parece altamente desejável – o caminho para uma vida sem preconceitos. Na prática, porém, essa análise imparcial é quase impossível: somos limitados por vieses do cérebro, isto é, seus “pré-conceitos”. E isso não é ruim.

Muitas vezes é preciso decidir e agir rápido. Visitando um país desconhecido, você acreditaria que é viável andar de ônibus? Você confiaria sua câmera a qualquer passante para tirar uma foto sua? Boa parte do que fazemos e decidimos tão rápido depende de ideias que o cérebro formula automaticamente a partir de generalizações baseadas em nossas experiências prévias, antes que nos demos conta do processo. Esses são nossos pré-conceitos: noções concebidas anteriormente, prontas para serem usadas na hora do aperto, quando uma decisão rápida for necessária.
Quando bem fundamentados em experiências, os pré-conceitos costumam se mostrar acertados e úteis, pois refletem regras aprendidas ao longo da vida. Voltemos ao país desconhecido: ônibus conservados em geral possibilitam uma viagem mais segura; ruas limpas, iluminadas e cheias de transeuntes tendem a ser tranquilas; uma pessoa bem vestida tem boas chances de saber operar sua câmera – e de não sair correndo com ela.
Por serem altamente pessoais, os julgamentos automáticos ajudam a tomar as decisões mais ajustadas para cada um. Eles são amplos e transparecem em várias ocasiões. Por exemplo, não é preciso processar de forma consciente os atributos físicos e intelectuais alheios para sentir quem nos atrai. A atração acontece antes da explicação, como uma racionalização pós-fato.
Contudo, alguns julgamentos não são baseados em experiências, mas apenas em valores pessoais que não necessariamente correspondem à realidade. São fundados em temores injustificados, em doutrinas arbitrárias ou dogmas religiosos ou políticos. Esses são os “pré-conceitos preconceituosos”. Infelizmente não faltam exemplos: homens devem ser mais inteligentes do que mulheres, negros são mais violentos que brancos, seguidores desta, daquela ou de nenhuma religião são imorais e pouco confiáveis.
Curiosamente, é comum que as próprias pessoas que são alvo de discriminações desenvolvam preconceitos no mesmo sentido. Um estudo com voluntários americanos constatou que a amígdala cerebral, fonte de respostas emocionais automáticas, reage mais veementemente, o que sinaliza ansiedade, a retratos de rostos desconhecidos de negros – isso ocorreu tanto nos participantes negros como nos brancos. Da mesma forma, todos associaram mais facilmente palavras negativas aos primeiros, e positivas aos últimos.
Preconceituosos ou não, a questão é que os pré-conceitos influenciam nossas escolhas e o que deveria ser vantagem vira problema quando nossas decisões prejudicam os outros sem qualquer razão. Felizmente, o próprio cérebro tem a solução, quando quer: o córtex pré-frontal, ao se reconhecer infundadamente pré-conceituoso, é capaz de vetar opiniões, decisões e até ações. Leva tempo e requer esforço, é verdade. Mas vale a pena. É a diferença entre ter pré-conceitos, o que todos temos, e deixar que eles se transformem em ações preconceituosas.
Por Suzana Herculano-Houzel, neurocientista, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Será que sou bipolar?


Sexta principal causa de incapacitação no mundo, o Transtorno Bipolar do Humor requer diagnóstico correto, tratamento adequado, e não pode ser confundido com alterações normais do comportamento frente às demandas da sociedade moderna
Por Swellyn França


Há quatro anos, Carolina* foi diagnosticada com o chamado Trans­torno Bipolar do Humor (TBH). Ela conta que apresentava alterações bruscas de temperamento: ia do êx­tase à tristeza profunda em questão de minutos "Às vezes me encontra­va numa fase bem agitada e bastava ouvir, ver ou sentir algo que me de­sagradasse muito que já vinha aquela vontade imensa de começar a chorar por todos os desastres do mundo - até os que nem eram meus ou jamais me afetariam. Parava de comer, não que­ria sair ou atender ao telefonema dos meus amigos. Isso durava semanas."
De acordo com a Psiquiatra, Psicofarmacologista e Terapeu­ta Cognitiva, Giuliana Cividanes, o Transtorno Bipolar é uma' doença psiquiátrica que se manifesta pela presença de duas fases distintas de alterações do humor em um mesmo paciente. "Uma das fases é a de­pressão, caracterizada por tristeza ou falta de interesse; alterações do apetite (geralmente perda da von­tade de se alimentar); insônia; pen­samentos negativos a respeito de si, do mundo e do futuro; lentidão do pensamento; falta de energia e sensação de fadiga o tempo todo; isolamento social, entre outros."

A Psiquiatra explica, no entanto, que esses sintomas devem ser inten­sos o suficiente para interferir nas ati­vidades cotidianas da vida da pessoa e durar pelo menos duas semanas,

com as manifestações ocorrendo to­dos os dias, o dia todo. "Geralmente, a depressão bipolar dura meses e é de difícil tratamento e cura, muitas vezes, com pensamentos suicidas. Ela pode ocorrer antes ou depois de um episódio de mania."

A mania - hoje em dia chamada de euforia - é o outro quadro de alte­ração do humor que ocorre no indiví­duo com TBH. Até por isso, a doença também é conhecida como psicose maníaco-depressiva. "É um período distinto de alteração do tempera­mento no qual o paciente começa a ficar muito agitado, sente uma pro­fusão de energia invadir o seu corpo, os pensamentos passam a correr em sua mente, ele sente como se fosse muito inteligente e tivesse diversas novas idéias. Estas idéias começam a se interligar e assuntos parecidos podem levar ao surgimento de novas informações, até que o discurso fica tão confuso que é difícil para um ob­servador compreender o que a pessoa está falando, embora para o próprio indivíduo tudo pareça estar absoluta­mente claro.

Nessa fase do transtorno, o portador de TBH tende a ser muito falante, vestir-se de forma exube­rante, muitas vezes é inadequado na forma de se comportar e abordar outras pessoas; pode ficar irritadiço e agressivo. Tem propensão ainda a envolver-se em atividades perigosas, pois se sente especial e indestrutível, pode colocar-se a consumir (fazer compras) desenfreadamente e apre­sentar uma maior desinibição sexual", detalha Giuliana.
O episódio de mania pode começar lento e ir se intensificando. A terapeuta salienta que esses sintomas devem durar pelo menos uma semana para que se caracterize como mania e, consequentemente, possa ser feito , o diagnóstico de TBH. "A diferença entre o TBH tipo l e II é que no tipo II os sintomas de mania são mais leves, o que chamamos de hipomania."  Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Transtor­no Bipolar é a sexta principal causa de incapacitação no mundo. Estima­tivas indicam que um indivíduo que desenvolve os sintomas da doença " aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder nove anos de vida e 14 anos de produtividade profissional.

A  Associação   Brasileira   de Transtorno Bipolar (ABTB), calcula que de 1,8 milhão a 15 milhões de brasileiros sejam portadores da doença, nas duas formas de apresentação (tipos l e II) e constata que 50% dos pacientes com o trans­torno tentam suicídio ao menos uma vez e 15% efetivamente o cometem. "Não cheguei a tentar suicídio, mas durante as crises e com pensamentos desconexos até cogitei a possibilidade. Minha sorte foi ter buscado ajuda profissional o quanto antes", ressalta Carolina.
O aumento do risco de suicídio nessa população, conforme a Psiquia­tra, é inerente ao próprio transtorno. "Assim como há um risco aumenta­do para portadores de depressão e de outros transtornos mentais, como a esquizofrenia, o tratamento ade­quado muitas vezes poderia prevenir o suicídio nessa população que tem um risco aumentado. Então, poderíamos dizer que, de forma indireta, o tratamento inadequado também contribui para o número de tentativas e de suicídio", observa Giuliana.   '

Tratamento é farmacologico, terapêutico e requer deixar de lado o preconceito

Embora o tratamento indicado  para o TBH seja prioritariamente farmacológico e feito por um Psiquiatra, a associação de medica­mentos com psicoterapia respon­dem por grande parte dos sucessos, uma vez que auxiliam no conheci­mento, avaliação e autocontrole do indivíduo. Há diversos tipos de te­rapias: cognitivo-comportamental; familiar; em grupo; interpessoal e social; psicoeduação etc.

Em relação aos medicamentos, além de estabilizadores de humor, o especialista pode utilizar antidepressivos ou drogas que controlam a ansiedade e problemas com delí­rios e alucinações. Com o uso destes remédios, as consultas ao Psiquiatra para controle de efeitos colaterais e para os ajustes de dosagens são muito importantes.
A Terapeuta também alerta sobre o risco de interações medica­mentosas em todos os pacientes que se tratam com mais de um especia­lista da área da saúde e tomam dife­rentes categorias de medicamentos. "Sabemos que as interações medica­mentosas são responsáveis por au­mento de morbidade e mortalidade nos  indivíduos polimedicados.  Os pacientes portadores de TBH, em sua maioria, são polimedicados. Dessa forma, sempre que forem subme­tidos a qualquer outro tratamento estes riscos devem ser avaliados"

Carolina  comenta  que  cerca de três meses depois do início da medicação  teve  diversas  reações desagradáveis. Os remédios foram trocados e só depois de um tempo as doses começaram a ser diminuí­das. "Depois do diagnóstico, busquei métodos alternativos para minimizar as alterações de humor, como medi­cina alternativa e exercícios físicos, além de fazer todas as atividades cotidianas nas quais me sentia bem: cinema, encontro com amigos, ouvir música, passear em parques etc. Com o conhecimento do problema, o me­dicamento, muita dedicação e, prin­cipalmente, a compreensão por parte das pessoas que estavam próximas, o resultado foi muito positivo".

Para a Psiquiatra, tudo o que foge da compreensão humana ou que se diferencia do padrão social gera preconceito. E este é o caso dos transtornos mentais. "Porém, deixar de se tratar devido ao preconceito é um grande prejuízo para o indivíduo. Com certeza a família sofre, a sociedade sofre, o sistema de saúde sofre quando uma pessoa abandona o tratamento, mas quem mais sofre é o próprio paciente. O que posso dizer é que hoje existem tratamentos efe­tivos, que mantêm a estabilidade e possibilitam uma vida normal à pes­soa. Que todos possam ter o precon­ceito, menos o próprio paciente, pois se ele tiver preconceito dele mesmo e negar que possui a doença e não se tratar de forma adequada, ele será o maior prejudicado", esclarece.

Carolina concorda: "A princípio, o diagnóstico me assustou.Tive um sen­timento de rejeição de mim mesma. Mas a constatação passou a ser extre­mamente importante para direcionar minhas atitudes e comportamentos, a fim de evitar o que me desagradava e buscar pelo meu bem-estar."

É preciso rever os conceitos

O destaque dado ao Transtor­no Bipolar pela mídia nos últimos tempos, inclusive, pelo fato de grandes celebridades se assumirem com o problema (Catherine Zeta-Jones, Demi Lovato, Cássia Kiss, en­tre outros) tem causado certa con­fusão entre os leigos que, ao menor sinal de instabilidade de humor, se consideram ou definem uma outra pessoa como bipolar.

O TBH é uma doença multifatorial. O que determina se um indivíduo terá ou não o problema é principal­mente a hereditariedade. Além disso, questões ambientais e psicológicas (chamados de elementos estressores) podem facilitar as primeiras crises e são fatores importantes no desencadeamento de manifestações futuras.

"Hoje em dia 'ser bipolar' virou moda. Acho que existe um super diagnóstico do transtorno, ou seja, casos que não são TBH sendo diag­nosticados como tal. A agitação das grandes cidades, o consumismo, o capitalismo e suas necessidades de competição, enfim, uma série de de­mandas do mundo moderno levam as pessoas a ficarem mais irritadas, impacientes e intolerantes, bem corno, menos motivadas, cansadas e desestimuladas Trata-se de situ­ações dinâmicas, que muitas vezes são diagnosticadas como sendo um transtorno mental. Talvez porque seja mais fácil tomar um remédio do que rever nossas vidas e nossas escolhas", conclui a Psiquiatra Giuliana.
Basicamente, há três características que diferenciam um possível TBH de uma alteração normal do humor:
Intensidade: alterações de humor que ocorrem no TBH  são  normalmente  mais severas do que as oscilações normais de temperamento.
Duração: estado simples de mau humor geralmente aca­ba em poucos dias, enquanto a mania/hipomania ou a depressão pode durar semanas ou meses.
Interferência nas atividades cotidianas da vida: os extremos no humor que ocorrem em uma pessoa com TBH podem afastá-la do trabalho, fazê-la não querer sair de casa etc.
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*0 nome da paciente diag­nosticada com TBH é fictício para preservar sua privacidade.
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Artigo originalmente publicado no APCD Jornal - Junho 2011

Como manter o equilíbrio emocional face às adversidades da vida?


Escrevo este artigo enquanto decorrem os Jogos Olímpicos de Londres 2012. Não podia existir melhor cenário para entendermos que a necessidade de um enorme equilíbrio emocional é necessário para colocar em competição o melhor que cada atleta tem dentro de si. No entanto, este é um evento onde os atletas vão participar numa situação vantajosa, onde se apresentam motivados pela ideia de irem concretizar num desempenho quatro anos da sua dedicação diária. Onde se vão desafiar a si mesmos, tentando levar para os seus países os melhores resultados possíveis. Mas se até à véspera da competição os Jogos são encarados com um espírito positivo, o que dizer, após o descalabro que alguns atletas vão viver. A deceção, o fracasso, a falha, a lesão, o orgulho ferido, a esperança de um pais deitada por terra. Como superar a desilusão? Como manter o equilíbrio emocional perante a adversidade da vida? Todos, sem exceção, debatemo-nos em algum momento das nossas vidas com a adversidade. Vimos a nossa zona de conforto ser abalada, os objetivos a caírem por terra, os nossos pensamentos ficam confusos, instalam-se pensamentos negativos e emerge algum tipo de sofrimento.
Na sequência do sofrimento, seja por perda, por desilusão, por fracasso, por abalo, por trauma, é muito comum sofrer-se de algum tipo de ansiedade, ou noutros casos instalar-se um estado deprimido. Estas são reacções normais e comuns na presença da adversidade, e podem ser funcionais e adaptativas, mas apenas o tempo necessário para perspetivar um caminho para a solução. Claro que cada pessoa reage de formas diferentes. Mas certamente muitos de nós, podemos ficar presos em comportamentos, sentimentos e pensamentos que em nada contribuem para o reequilíbrio emocional. Perante as dificuldades da vida, algumas das nossas formas de lidar com a adversidade são muito mais destrutivas e prejudicais do que assertivas e funcionais.
controle emocional
Apresento em seguida seis passos para promover o equilíbrio emocional perante as adversidades da vida:

DÊ TEMPO A SI MESMO PARA PROCESSAR OS ACONTECIMENTOS

Quando você se depara com a adversidade, é importante ocupar algum do seu tempo para processar o que está acontecendo. Algumas pessoas vão dizer-lhe para esquecer e seguir em frente. Para levantar a cabeça, que o que lá vai, lá vai. Mas, se você tentar seguir em frente imediatamente, sem reflexão, sem analisar os seus sentimentos e pensamentos, o que eles lhe transmitem, e qual o impacto que isso pode ter em si, na sua vida e na forma como vai passar a olhar o mundo ou situações futuras, certamente não será benéfico. Pode demorar um dia. Pode levar uma semana. Pode levar um mês. Mas o importante é ter o seu tempo de reflexão, análise e leitura do sucedido. A chave, é certificar-se de que retém-se nessa análise apenas o tempo suficiente para perspetivar um caminho. Ficar recorrentemente num ciclo de avaliações, ou emaranhado nos acontecimentos à espera que melhores dias apareçam, pode fazer com que você fique mentalmente paralisado e incapaz de seguir em frente.

EVITE REAÇÕES DESCABIDAS

Quando você atinge um grande revés é inevitável que tenha algum tipo de reação. Usualmente podemos ter reações a quente, que nos protejam e nos retirem sofrimento. Ou por outro lado, podemos passar ao ataque, culpabilizando outros, ou descartando responsabilidades. Cada caso é um caso. Cada situação demandará certamente um tipo de resposta de acordo com a nossa forma de ser, ou de olhar a situação no momento. Por isso, a ideia que pretendo transmitir, é que você consiga usar a seu favor o que descrevi no primeiro ponto, para que possa evitar qualquer reação impensada. Abordei este assunto de forma mais aprofundada no artigo: Como desenvolver equilíbrio emocional.

DEIXE DE RESISTIR ÀS CIRCUNSTÂNCIAS

Você provavelmente já ouviu as palavras “o que você resiste, persiste.” O que aconteceu, aconteceu. Aquilo em que nos focamos expande-se. Se você ficar detido nas circunstâncias adversas que lhe aconteceram, mais tempo do que aquele que expliquei no ponto um, a vida pode tonar-se num tormento. Você é colhido pelo passado, e aí pode ficar retido, condicionando o seu presente e assombrando o seu futuro. É necessário encarar as deceções, e superar algum sentimento de culpa para que não entre numa espiral negativa e enraíze uma mentalidade de vítima acerca do seu revés. Ficar paralisado pelo passado corta o seu fluxo de vida e faz revivê-lo uma e outra vez, impossibilitando uma mudança benéfica.  Aprofundei o assunto no artigo: Viva o presente. Não se paralise pelo passado.

CONSIDERE AS POSSIBILIDADES

Ao fazer a si mesmo algumas perguntas simples, um mundo de opções se abrirão para você: “O que é possível?” ou “O que posso fazer?” Ao perguntar o que é possível, você abre-se à possibilidade, coloca-se num cenário positivo, construtivo e capacitador. Você permite-se perspetivar um caminho virado para a solução. Coloca-o numa posição de monitorizar as possibilidades que se vislumbrem, ou melhor, você próprio coloca-se num estado de recursos que promove a criação de uma possibilidade. Pode emergir então um cenário em que você decide criar a solução mais adequada.  Aprofundei este assunto no artigo: Construa o seu futuro.

OLHE PARA OS SEUS RETROCESSOS

Se há uma coisa que a minha experiência desportiva me ensinou e, fui posteriormente reforçando essa ideia nas consultas de psicologia com os meus clientes, foi que: a vida flui e reflui, tem altos e baixos. Às vezes as condições são fantásticas. Às vezes, eles são uma porcaria. Um dia batem-se recordes, noutro dia fracassa-se. No entanto, esta fluidez de avanços e recuos permite que possamos aprender com os erros e falhas. Permitem-nos também que possamos aceitar as perdas, que possamos aceitar que somos falíveis. Que tudo muda. Que nada é constante. E que, tal como referi no ponto anterior, existe um mundo de possibilidade sempre prontas a serem concretizadas. Quando você está tentando restabelecer o seu equilíbrio, quando se desafia a si mesmo, quandopretende mudar a sua vida para melhor, por vezes, os recuos, dificuldades e adversidades fazem parte do processo que permite construir o percurso do seu sucesso.

AVANCE, MESMO PERANTE A DIFICULDADE E PERSISTA

Muitos são os exemplos que podemos retirar quando analisamos as pessoas bem sucedidas. Estas pessoas demonstram uma caraterística que as define como persistentes. Perante a adversidade mantêm o foco nos objetivos traçados, quando a grande maioria das pessoas desistiria. Eles avançam, mesmo sentido os grandes obstáculos que encontram pelo caminho. Mantêm os olhos na recompensa desejada. Têm uma perspetiva de longo prazo.
“Para me manter no topo tenho de sofrer dores físicas, tenho de abdicar de muitas coisas, na minha vida pessoal. Tudo para poder treinar e estar disponível para um objetivo que é a minha paixão: o triplo-salto.” – Nelson Évora, Campeão Olímpico do triplo salto em Pequim, 2008. Em entrevista à visão.pt
30-07-2012, em Psicologia Positiva, por Miguel Lucas
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